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domingo, 5 de junho de 2011

Convite


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft


segunda-feira, 19 de julho de 2010



"Se te pareço ausente, não creias:

hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,

hora a hora meu desejo revolve teus escombros,

e escorrem dos meus olhos mais promessas.

Não acredites nesse breve sono;

não dês valor maior ao meu silêncio;

e se leres recados numa folha branca,

Não creias também: é preciso encostar

teus lábios nos meus lábios para ouvir.

Nem acredites se pensas que te falo:

palavras

são meu jeito mais secreto de calar."

Lya Luft


Penso que um dos objetivos da escrita é instigar o leitor, fazendo-o revisitar conceitos e lugares silenciosos, onde seus passos caminham ao lado das mãos do escritor. Um vôo sem fronteiras, onde a emoção é a inquietude maior...Assim é que me sinto ao ler Lya Luft.

Beijos

Samara